O universo da beleza frequentemente acompanha tendências e inovações que prometem praticidade e durabilidade. O esmalte em gel é um desses exemplos — popular por sua resistência e acabamento impecável, ele se tornou rotina para muitas pessoas. No entanto, recentes alertas envolvendo substâncias proibidas reacenderam uma discussão importante sobre segurança.
Em reportagens recentes, incluindo cobertura da CNN Brasil, o tema ganhou destaque após a identificação de compostos proibidos em produtos de esmaltação em gel. A questão não está apenas na presença dessas substâncias, mas no que elas representam em termos de risco potencial à saúde.
Sob a ótica clínica, a dermatologista Dra. Glauce Eiko chama atenção para um ponto central: o problema não está necessariamente no uso pontual, mas na exposição repetida e cumulativa. Segundo ela, muitos desses compostos, como o TPO e o DMPT, foram classificados internacionalmente como substâncias com potencial tóxico — incluindo riscos relacionados à mutação celular, efeitos hormonais e possível associação com câncer em estudos experimentais.
Embora esses efeitos ainda não tenham sido comprovados diretamente em humanos nas condições de uso cotidiano, o princípio adotado por órgãos reguladores, como a Anvisa, é o da precaução. Ou seja, diante de evidências científicas relevantes — ainda que indiretas — a decisão é restringir ou proibir o uso para evitar riscos futuros.
A Dra. Glauce Eiko reforça que o grande ponto de atenção está na frequência de uso e no contexto de exposição. Profissionais que trabalham diariamente com esses produtos, por exemplo, podem estar mais suscetíveis a efeitos cumulativos, já que lidam com vapores, contato direto e exposição prolongada.
Além disso, o processo de aplicação do esmalte em gel envolve a chamada fotopolimerização — uma reação química ativada por luz UV ou LED que endurece o produto nas unhas. Quando esse processo não ocorre de forma adequada, podem restar resíduos que entram em contato com a pele ou são inalados, ampliando a exposição.
Outro ponto frequentemente negligenciado é que os riscos não se limitam às substâncias químicas. A própria técnica de esmaltação em gel pode impactar a saúde das unhas. A Dra. Glauce destaca que a remoção inadequada, muitas vezes feita de forma agressiva, pode enfraquecer a lâmina ungueal, deixando as unhas mais finas, quebradiças e suscetíveis a danos.
Também há o risco de dermatites de contato, especialmente em pessoas sensíveis a componentes presentes nas fórmulas, como acrilatos. Essas reações podem se manifestar não apenas nas unhas, mas em outras regiões do corpo.
Diante desse cenário, o ponto não é necessariamente abandonar o uso, mas adotar uma postura mais consciente. A Dra. Glauce Eiko orienta que o consumidor esteja atento à procedência dos produtos, evite itens sem rotulagem adequada e priorize estabelecimentos que sigam boas práticas de segurança, como ventilação adequada e uso de equipamentos de proteção.
Outro hábito importante é a leitura dos rótulos. Muitas substâncias podem aparecer com nomes técnicos diferentes, o que exige um pouco mais de atenção por parte do consumidor.
No fim, o que esse episódio revela é algo maior do que uma tendência específica: a necessidade de olhar para o skincare e os cuidados estéticos com mais criticidade.
Como reforça a Dra. Glauce Eiko, beleza e saúde precisam caminhar juntas. E isso significa entender que nem tudo que é prático ou popular é, necessariamente, inofensivo a longo prazo.
A decisão mais inteligente, portanto, não é baseada no medo — mas na informação.